Manoel Congo desembarcou clandestinamente numa praia deserta do Rio Grande do Sul, no Capão dos Negros, em 1852. Como o tráfico africano estava proibido desde 1850, Manoel Congo não seria teoricamente escravo, mas “africano livre”. A saga desse homem para afirmar-se como “africano livre” dentro da sociedade escravista é o que nos revela esta pesquisa, que foi a dissertação de mestrado do autor pela Unisinos. Fica evidente a seriedade e importância da pesquisa realizada tanto em fontes primárias manuscritas quanto na historiografia mais atual, onde o autor trabalha com sete unidades arquivísticas, cobrindo desde o Arquivo Histórico do RS até o Arquivo da Casa Paroquial de Nossa Senhora da Conceição de São Leopoldo. Ao focalizar e reconstruir a vida ordinária de um africano ilegalmente escravizado, o autor revela e confirma aspectos realmente importantes da experiência histórica afro-brasileira.
O tema é revelador, é uma história de vida cheia de lances dramáticos e podemos penetrar um pouco melhor no chamado mundo da escravidão, a escravidão como cultura dominante ou mentalidade coletiva. É possível avaliar melhor a dureza da luta a ser enfrentada no caminho para a liberdade e também a contribuição da população negra e mestiça na História do Brasil. Ele revela as imensas dificuldades enfrentadas pela população negra, fosse escrava, liberta ou “africana livre” no Brasil escravista. Dente as piores dificuldades devemos incluir a falta de credibilidade social, de voz autônoma e, portanto, de visibilidade histórica. Outro mérito deste trabalho é reafirmar a importância e fecundidade dos estudos sobre o negro, em áreas tradicionalmente vistas como colônias “puramente” europeias. A escravidão está por toda a parte.
Ano: 2006
Edição: 1ª
Editora: EST Edições
Idioma: Português
Páginas: 168
Papel: Ofício