Sem as mulas o comércio teria sido impossível no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, pois o cavalo não resiste a uma viagem de três a quatro léguas carregando mercadorias nem seria possível trafegar com a lerda carreta pelo Planalto Brasileiro Meridional, por causa do terreno acidentado. Mas, esta obra surgiu em decorrência das perguntas e dúvidas dos participantes e comunicadores do Seminário Nacional de Tropeirismo.
A fim de buscar o significado do tropeirismo em cada momento histórico o autor compulsou documentos do século XVIII da Fazenda Real, no Arquivo Histórico do RS, descrições de viajantes estrangeiros que usaram tropas de mulas no século XIX e entrevistas com antigos tropeiros. Os livros sobre tropeirismo também forneceram uma série de vocábulos e indicações sobre antigos roteiros, reclamações de pousos e de comércio, permitindo a reconstrução das rotas comerciais.
O propósito desta obra é fornecer elementos para consulta rápida e preservar os testemunhos da memória nacional do tropeirismo como principal meio de transporte, responsável pelo trânsito de mercadorias entre as zonas de produção e as de consumo. Os tropeiros foram os desbravadores do sertão e que em torno dos pousos surgiram núcleos com armazéns, depósitos, ferrarias e capela que se transformaram em freguesias, vilas ou cidades.